
No próximo dia 22 de janeiro fará um ano que os governos tucanos de
São José dos Campos e do Estado de São Paulo, aliados a um setor do
Judiciário paulista e a grupos econômicos de propriedade de notórios
corruptos, perpetraram um crime de lesa-humanidade: o Massacre do
Pinheirinho, o qual, tanto tempo depois, continua impune.
Naquela manhã de domingo, após semanas tensas de ameaças de invasão
pela polícia militar, a tragédia se materializou. Milhares de policiais,
munidos de armamento pesado, blindados, helicópteros, enfim, de um
aparato de guerra, invadiram residências e, sob bombas, tiros e
agressões físicas expulsaram famílias inteiras sem permitirem que sequer
pegassem seus objetos pessoais.
O saldo daquela desgraça ordenada por governantes do PSDB eleitos
para trabalharem pela população, além das milhares de famílias que
perderam tudo, foi ao menos uma morte e dezenas de feridos.
Apesar de denúncias da população do Pinheirinho de que teriam
ocorrido várias mortes por ação da polícia militar, apenas uma dessas
mortes foi
comprovada.
O aposentado Ivo Teles dos Santos, de 70 anos, revoltou-se com a
invasão e começou a protestar, sendo, em seguida, espancado por
policiais militares.
O vídeo abaixo mostra o idoso protestando, o que desencadeou a fúria
de policiais que, em seguida, o espancaram, segundo relatos de dezenas
de testemunhas feitos inclusive a este blogueiro, que foi a São José dos
Campos integrando força-tarefa organizada pelo Conselho Estadual de
Defesa dos Direitos da Pessoa Humana (Condepe) para tomar depoimentos
das vítimas.
Após o espancamento, Teles desapareceu. Semanas depois, foi
localizado por sua família no hospital municipal Dr. José Carvalho de
Florence, em São José dos Campos. O idoso deu entrada no hospital no dia
22 de janeiro, horas depois do massacre.
Teles ficou internado, em coma, até 22 de março, quando sua filha,
Ivanilda Jesus dos Santos, chegou da Bahia para retirá-lo. Até a morte,
diz Ivanilda, o aposentado permaneceu em estado vegetativo, sem se
movimentar nem responder a qualquer estímulo, por conta dos ferimentos
causados pela polícia.
Em 9 de abril, Teles faleceu de falência múltipla de órgãos.
Na semana seguinte ao massacre, este blogueiro foi a São José dos
Campos pela primeira vez, integrando força-tarefa do Condepe que tomaria
os depoimentos de uma população que, além das casas, perdeu móveis,
roupas, dinheiro, veículos, tudo roubado ou destruído pelos invasores.
A força-tarefa foi integrada, essencialmente, por jornalistas e
advogados, destacados para ouvir e registrar, em ata, as denúncias da
população atingida, a fim de encaminhar tudo ao Ministério Público.
Voltei pela segunda vez na semana posterior, mas menos para tomar
depoimentos do que para investigar as denúncias de assassinatos.
Conversei com várias pessoas que testemunharam assassinatos, mas que,
temendo represálias da polícia, não aceitaram depor, de forma que o
único assassinato confirmado foi o do aposentado Ivo Teles dos Santos.
Hoje, próximo ao primeiro aniversário do massacre, a sociedade
brasileira pode ao menos comemorar o fato de que, se a Justiça não
reparou o crime cujo principal responsável foi o então prefeito de São
José dos Campos, Eduardo Cury (PSDB), o povo joseense fez tal reparação.
Nas eleições municipais do ano passado, o eleitorado daquela cidade
puniu aquele crime de lesa-humanidade, cometido principalmente pelo
PSDB, elegendo o candidato do PT Carlinhos Almeida no primeiro turno com
50,99% dos votos válidos, contra Alexandre Blanco (PSDB), que teve
43,15%.
Apesar de a maioria dos cidadãos de São José dos Campos ter se
revoltado com os crimes cometidos pela polícia militar durante a
desocupação do Pinheirinho, crimes como o estupro de moças de uma das
casas invadidas, de ao menos um assassinato comprovado e de roubo de
bens dos moradores da área “desocupada”, até hoje ninguém foi punido.
Próximo de completar um ano daquela barbárie, o Blog da Cidadania vem
exortar autoridades e cidadãos a não se conformarem com aqueles crimes
hediondos, pois esbofeteiam o próprio Estado Democrático de Direito,
sendo insuficiente, para fazer justiça, a defenestração política do PSDB
de São José dos Campos.