terça-feira, 4 de outubro de 2011

Logo Israel foi fazer um muro, e logo os EUA foram apoiá-lo nessa empreitada! Eis aí uma escandalosa ironia da história.

A muralha começou a ser construída em 2002, durante o governo do primeiro ministro israelense, Ariel Sharon. A iniciativa suscitou críticas da comunidade internacional, que considera o muro como um símbolo de segregação.

O Tribunal Internacional de Justiça de Haia o declarou ilegal em 2004, pois a barreira corta terras palestinas e isola cerca de 450.000 pessoas.

Ilegal, racista e transgressor. Com essas palavras a Corte Internacional de Justiça da ONU condenou o polêmico muro que Israel constrói entre seu território e a Cisjordânia, uma obra que pode tornar inviável a formação de um Estado palestino. Chamado de "muro da discórdia" pela imprensa internacional, sua construção vem causando polêmica nos quatro cantos do mundo e conta com a desaprovação explícita de toda comunidade internacional, excetuando os Estados Unidos e sua política pró-Israel.
A Corte de Haia não tem poder de coerção, o que torna a decisão apenas simbólica.

Em um explícito enfrentamento às leis internacionais, Israel deixou claro que a decisão da corte não paralisará a construção do muro e afirmou que o Tribunal não tem autoridade para julgar o caso. Os palestinos afirmam que a obra inviabiliza a criação de um Estado pelo fato de Israel "anexar" os territórios que estariam dentro da barreira. "Equivale a uma anexação de fato, ao criar uma realidade nova", diz a declaração final desse tribunal internacional.

Complexo de 685 quilômetros de extensão de altos muros de concreto, trincheiras, cercas de arame e torres de vigilância. Segundo a corte, 240 mil palestinos foram ou serão afetados e mais de um milhão perderá sua já restrita movimentação quando a obra ficar pronta.

Segundo os ativistas de direitos humanos, incluindo organizações israelenses como a Machsom Watch (ou Checkpoint Watch), a construção viola as fronteiras demarcadas pela ONU, com a apropriação indevida de territórios por Israel, e os controles militares minam o desenvolvimento econômico do povo palestino, além de limitar a chegada de ajuda humanitária.

Citações:

"Através deste muro estão se expandindo os assentamentos israelenses. O muro está convertendo Belém em uma "grande prisão", ao impedir a livre circulação dos seus habitantes.” – Salah Tamir - Prefeito de Belém

“Enquanto não for destruído o muro erguido na Cisjordânia para anexar ilegalmente terras, e não forem garantidos aos palestinos os direitos de propriedade, de ir e vir, e de buscar saúde, educação e emprego, qualquer enunciado sobre a paz será apenas uma ironia semântica.”

"Israel se considera forte o bastante, até para desrespeitar decisões internacionais, porque tem um poderoso apoio dos americanos que, na prática, não demonstram o mínimo interesse quanto ao destino de um povo que vive isolado atrás de barricadas." - Jornalista judia Amira Hass.

Lula foi preciso: ”Se continuar construindo na capital palestina, Israel está complicando a paz, quer que nos distanciemos da paz. Pedimos não apenas a retirada das 900 casas, mas de todas as atividades de construção nos territórios ocupados. Essas palavras não são nossas. Foram ditas pelo presidente Obama."
“Enquanto não for destruído o muro erguido na Cisjordânia para anexar ilegalmente terras, e não forem garantidos aos palestinos os direitos de propriedade, de ir e vir, e de buscar saúde, educação e emprego, qualquer enunciado sobre a paz será apenas uma ironia semântica. Um discurso que admite a realidade do que é virtual, mas que não pode ser colocado no plano lógico daquilo que já tenha adquirido existência concreta.” – Lula – Luiz Inácio Lula da Silva.

“O respaldado dado pelo imperialismo norte-americano na região, a construção incessante de assentamentos em território ocupado obedece a uma lógica clara. O governo israelense joga todo o seu peso em uma solução definitiva para o “problema palestino”: uma solução que vem contemplando o massacre e o apartheid.”
"A melhora desesperadamente necessária das condições de vida dos palestinos se tornou impossível com o plano de bantustões de Sharon. Enquanto, continuarem taxando de terroristas todos os partidos políticos palestinos, a formação de um processo político democrático continuará sendo uma farsa. A maioria das lideranças foram assassinados ou presos. Muitos estão foragidos, escondendo-se para a sua própria segurança." - Escritor Marwan Bihara

“O que deve ser dito é que a coalizão de colonos, fundamentalistas e generais reacionários que domina o plano político israelense não tem o menor interesse em implementar acordos que possam prejudicar a expansão de assentamentos ilegais. Enquanto a comunidade internacional, liderada pelos Estados Unidos, não fizer a inflexão necessária, a muralha, que tem 80% de extensão em território cisjordaniano, continuará edificada como uma solução final da barbárie. A arquitetura perfeita da destruição.”

A queda do muro de Berlim foi comemorada como uma vitória da democracia.
Israel diz-se a única democracia do oriente médio. E Estados Unidos o paladino da democracia mundial.
Israel e Estados Unidos constroem muros.

Tempos Modernos
Lulu Santos

Eu vejo a vida
Melhor no futuro
Eu vejo isso
Por cima de um muro
De hipocrisia
Que insiste
Em nos rodear...

Eu vejo a vida
Mais clara e farta
Repleta de toda
Satisfação
Que se tem direito
Do firmamento ao chão...

Eu quero crer
No amor numa boa
Que isso valha
Pra qualquer pessoa
Que realizar, a força
Que tem uma paixão...

Eu vejo um novo
Começo de era
De gente fina
Elegante e sincera
Com habilidade
Pra dizer mais sim
Do que não, não, não...

Hoje o tempo voa amor
Escorre pelas mãos
Mesmo sem se sentir
Não há tempo
Que volte amor
Vamos viver tudo
Que há pra viver
Vamos nos permitir...

Tempos Modernos
Lulu Santos

Logo Israel foi fazer um muro, e logo os EUA foram apoiá-lo nessa empreitada! Eis aí uma escandalosa ironia da história.

terça-feira, 27 de setembro de 2011

Jerusalém dividida.

 
Internacional| 27/09/2011 | Copyleft

"Jerusalém já está dividida como se fosse uma capital de dois estados"

Em entrevista à Carta Maior, o vice-prefeito de Jerusalém, José Alalu, membro do partido israelense de esquerda Meretz, fala sobre a problemática que Jerusalém representa para os acordos de paz na região. Para ele, a solução já está desenhada na prática: “a cultura árabe é muito diferente da israelense e cada um quer conservar sua cultura. De algum modo, Jerusalém já está dividida como se fosse uma capital de dois Estados”.

José Alalu, vice-prefeito de Jerusalém, membro do partido de esquerda Meretz, evoca nesta entrevista à Carta Maior a problemática que Jerusalém representa para os acordos de paz, a divisão da cidade e a forma pela qual, segundo ele, a solução já está quase configurada.

A situação de subdesenvolvimento de Jerusalém Oriental é impactante. Parece uma cidade abandonada.

Não é um problema fácil. A parte árabe de Jerusalém não tem sido tratada há 60 anos e ficou completamente para trás. Reabilitá-la equivaleria a colocar todo o orçamento aí e não deixar nada para a outra parte. Em termos de infraestrutura viária, água e eletricidade são necessários milhões para colocar a parte árabe no mesmo nível da parte judia. O mesmo ocorre com as escolas. Na parte árabe, faltam mil salas de aula ao ano e a prefeitura só consegue financiar 80. Faltam parques, indústrias, que não há nenhuma, aliás. As diferenças de desenvolvimento entre a parte judia e a parte árabe são evidentes, mas não é um problema de má fé, absolutamente. O problema é que economicamente não podemos.

Jerusalém não é uma capital rica, é uma capital pobre. O governo tem que ajudar. Por isso tenho medo que algum dia isso exploda. Espero que não cheguemos a isso. O prefeito de Jerusalém acredita em uma capital unificada, mas, para isso, é preciso investir na parte árabe. Ele quer melhorar as estradas, os colégios, mas os palestinos querem a independência.

Mas há leis que impedem que um palestino rico de Ramallah invista em Jerusalém.

É verdade. Não deixam que eles comprem terras ou terrenos. Jerusalém está dividida e o problema é que a parte judia domina as duas partes, estabelece as leis para os dois setores.

Jerusalém é um tema de disputa importante entre israelenses e palestinos. Como reunir em uma mesma mesa dois antagonistas que pretendem a mesma terra para o mesmo fim, ou seja, ser a capital do Estado?

Tudo tem solução. Já foi comprovado que vamos ter que devolver quase 100% dos territórios. Isso foi feito com o Egito, com o Líbano, com a Jordânia e será feito com os palestinos. No que diz respeito ao pleito legítimo sobre a segurança de Israel, também deverá ser encontrada uma solução. E com Jerusalém ocorrerá o mesmo. Não é um problema religioso, é um problema nacional entre palestinos e israelenses. A Cidade Velha está divida em quatro setores: a parte muçulmana, que será para os palestinos, a parte cristã também será para eles, a parte judia ficará em mãos de Israel e a parte armênia, bem, sobre ela será preciso chegar a um acordo.

Quanto à parte sagrada, cabe observar que a maioria das pessoas aqui não é religiosa. Israel é um país laico e democrático. A Palestina também. Entre os árabes, os palestinos são os mais laicos de todos. Então, creio que as mesquitas ficarão sob responsabilidade dos palestinos e o Muro das Lamentações sob o controle de Israel. Pode-se fazer algo combinado entre israelenses e palestinos e isso pode envolver outros países como Estados Unidos e Egito que podem ficar encarregados de controlar a ordem e a disciplina nestas áreas. Tudo pode ser acertado. Todos sabem qual é a solução, mas não se atrevem a chegar a ela.

No entanto, a guerra da ocupação de áreas em Jerusalém existe e as políticas discriminatórias com os palestinos também.

Essas são as enfermidades herdadas da ocupação. Por isso acredito que o tempo não está jogando a favor, nem de Israel, nem dos palestinos. Há muito mito em torno de Jerusalém. A cultura árabe é muito diferente da israelense e cada um quer conservar sua cultura. De algum modo, Jerusalém já está dividida como se fosse uma capital de dois Estados. Isso é o que costumo dizer. Reconheço que há lugares que são problemáticos, mas o problema maior é seguir assim.

Tradução: Katarina Peixoto


Fotos: Eduardo Febbro
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27/09/2011
"Jerusalém já está dividida como se fosse uma capital de dois estados" : Em entrevista à Carta Maior, o vice-prefeito de Jerusalém, José Alalu, membro do partido israelense de esquerda Meretz, fala sobre a problemática que Jerusalém representa para os acordos de paz na região. Para ele, a solução já está desenhada na prática: “a cultura árabe é muito diferente da israelense e cada um quer conservar sua cultura. De algum modo, Jerusalém já está dividida como se fosse uma capital de dois Estados”.

26/09/2011
A Grécia no centro da tormenta : No período entre julho e agosto de 2011, as bolsas de valores foram novamente abaladas em nível internacional. A crise aprofundou-se na União Europeia, em particular no tema das dívidas. O Comitê para a Anulação da Dívida do Terceiro Mundo (CADTM) entrevistou Eric Toussaint a fim de decodificar os diferentes aspectos desta nova fase da crise. Para ele, os bancos privados têm grande responsabilidade no endividamento excessivo da Grécia. Agora, a Grécia precisa prometer ao mercado uma taxa de juro de 15% para poder pedir novos empréstimos.

Declínio e queda da turma toda : A ansiedade e a perplexidade dos EUA atingiram um novo patamar quando a última projeção do FMI indicou que, ao menos em alguns aspectos, a economia chinesa ultrapassaria a dos EUA em 2016. Até recentemente, o Goldman Sachs apontava para 2050 como o ano em que ocorreria essa troca do primeiro lugar. Dentro dos próximos 30 anos, segundo o Goldman Sachs, provavelmente os cinco primeiros serão China, EUA, Índia, Brasil e México. A Europa Ocidental? Bye-bye! O artigo é de Pepe Escobar.
A filosofia por trás do movimento 'Ocupar Wall Street' : Os que clamam por austeridade são agentes financistas, para os quais é pecado ver diminuir a própria riqueza; os que pedem estímulos são eticamente corretos, mas não fazem um ataque direto aos financistas. A única solução real para a crise é, como receitou Keynes, “a eutanásia do rentista”. É esse impulso para desafiar diretamente Wall Street que mostra o quanto é razoável e necessário o movimento Ocupar Wall Street. O artigo é de Vijay Prashad.
Palestinos e América Latina: coincidências, divergências, decências : As presidentes da primeira e da terceira economia da América Latina, e que são as duas maiores da América do Sul, Dilma Rousseff e Cristina Fernández de Kirchner, apoiaram de forma clara e contundente a Palestina. Seus estrategistas de relações exteriores se mobilizaram para conseguir a adesão unânime dos chanceleres sul-americanos a uma declaração conjunta dos países árabes e dos governos da América do Sul em defesa dos palestinos. Quase conseguiram: faltou um. O governo da Colômbia. O artigo é de Eric Nepomuceno.
A batalha político-imobiliária pelo controle de Jerusalém : Em 1947, logo após a divisão da Palestina, a ONU colocou Jerusalém sob mandato internacional. No ano seguinte, com a guerra da independência, Israel se apoderou do setor oeste da cidade, enquanto que o setor oriental passou para controle da Jordânia. Durante a Guerra dos Seis Dias (1967), Israel anexou Jerusalém Oriental. Hoje, à força de investimentos, compra de terras e restrições específicas aos palestinos, Jerusalém se move entre a modernidade de seu setor israelense e a pobreza da parte oriental. Jerusalém é o território de um combate imobiliário em cujo interior se movem as sombras da geopolítica. A reportagem é de Eduardo Febbro.
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Quilombolas: direitos garantidos.

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Publicada em 27/09/2011
 
Incra e UFT iniciam regularização de quilombolas no Tocantins
 
 
Imagem ilustrativa - Reprodução da internet
O Incra e a Universidade Federal do Tocantins (UFT) iniciam, nesta terça-feira (27), os trabalhos de elaboração do Relatório Técnico de Identificação e Delimitação (RTID) de seis comunidades quilombolas no Tocantins.

Técnicos das duas instituições vão se reunir, no Campus da Universidade em Tocantinópolis, região norte do estado, para definir os procedimentos e os prazos para elaboração conjunta dos relatórios das comunidades. Serão beneficiados os remanescentes de Quilombolas de: Cocalinho (Santa Fé do Araguaia), Dona Jucelina (Muricilândia), Pé do Morro (Aragominas), Santa Maria das Mangueiras (Dois Irmãos do Tocantins), São Joaquim e Lajinha (Porto Alegre do Tocantins).

A parceria entre as instituições é resultado de acordo de cooperação técnica, firmado em junho. A Universidade vai disponibilizar antropólogos, que juntamente com servidores do Incra, serão responsáveis pela elaboração dos relatórios técnicos de seis comunidades reconhecidas pela Fundação Cultural Palmares.

Entenda a regulação
O RTID é o documento que determina a área do território de cada comunidade quilombola. É elaborado por equipe multidisciplinar composta por antropólogo, engenheiro agrônomo, fiscal de cadastro, topógrafo e outros profissionais, que realizam estudos com o objetivo de identificar a origem, as tradições, a história, os costumes e o território a ser titulado.

Após a conclusão, cada relatório é publicado no Diário Oficial da União para dar conhecimento e publicidade aos interessados. Os proprietários de imóveis rurais localizados na área delimitada pelo RTID são notificados e terão prazo para contestar o documento. Encerrada a fase de defesa e julgamento das contestações, será publicada portaria de reconhecimento do território quilombola, que permitirá a publicação posterior de decreto presidencial com autorização para desapropriação dos imóveis rurais localizados na área de abrangência de cada território. Concluídas as desapropriações dos imóveis rurais, o Incra realizará a titulação do território em nome de cada comunidade.